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Primeira Página » Terra-a-Terra
30 de Julho de 2010
São João de Ovar - Fogo destrói habitação e coloca seis pessoas na rua


Imagine que estava a dormir descansado, juntamente com toda a sua família, na sua própria casa e que de repente acorda com o cheiro a fumo e se depara com um panorama avassalador de chamas a consumirem todos os seus bens e tudo o que construiu. Desastroso e impensável?Sim. A família Ferreira sentiu na pele toda essa angústia e temor.


Susana Silva

Na madrugada do passado dia 17 de Outubro, deflagrou, em Ovar, um incêndio numa habitação, deixando desalojadas seis pessoas e destruindo, por completo, todos os bens e toda a casa, deixando-a carbonizada.
Segundo Luís Ferreira, genro do proprietário da casa e habitante da mesma, a sua esposa, Natália Ferreira, foi a primeira a dar conta do sucedido. "Eram aproximadamente 3h00 quando tudo aconteceu. Deu-se um curto circuito na parte da cozinha. A minha esposa tem um sono muito leve, acordou com o cheiro do fumo e quando se deu conta começamos a tentar apagar com os meios que tínhamos, mas nada conseguimos fazer. Senti-me impotente mediante a situação", declarou.
Na casa, situada no lugar do Sobral, em São João de Ovar, habitavam seis pessoas: Manuel Ferreira, de 84 anos, proprietário da casa, Maria Natália Ferreira, a filha, Luís Ferreira, o genro, Cátia e Nuno Paiva, os netos, e ainda a bisneta do proprietário, Leonor.
Luís Ferreira admitiu ainda ao PRAÇA PÚBLICA que "a minha preocupação inicial foi tentar apagar o fogo que, como disse, realmente não consegui. Logo depois, preocupei-me em tirar o pessoal todo de casa, e em livrar-nos de uma garrafa de gás que estava na cozinha". Segundo o genro do proprietário da casa, a casa teve de ser abandonada imediatamente e não tiveram outra opção senão sair ainda em roupa interior.
Os bombeiros foram alertados e "foram impecáveis. Em sete minutos estavam em cima do acontecimento, mas não puderam fazer mais nada senão tentar controlar o fogo", disse-nos Luís Ferreira, que também nos revelou que, neste momento, estão em casa do seu filho.
Relativamente aos bens consumidos, Luís Ferreira sustentou que "ficamos sem nada" e contou-nos que a casa não tinha seguro. "A Câmara Municipal, a Assistência Social, a Junta de Freguesia de São João, a PSP, os Bombeiros Voluntários de Ovar, toda a gente sem excepção, são pessoas ‘cinco estrelas’ e impecáveis. Estão a dar o maior apoio possível. Não se podia esperar mais do que aquilo que eles estão a fazer", referiu, convictamente, o lesado.
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Ovar, António Borges, informou-nos que "o alerta do incêndio foi dado às 3h05, por um vizinho que também era familiar das vítimas. Sete minutos depois chegamos ao local". "Era uma habitação já antiga, onde habitavam pessoas de pequena idade, um idoso e um casal. A casa tinha já mais de 40 anos de existência, a parte de trás era toda em madeira, e era constituída também por um material altamente combustível", declarou.
Quando questionado sobre o cenário encontrado quando chegou ao local, António Borges referiu que "o fogo já estava muito avançado e os acessos ao local também eram difíceis, embora a nossa intervenção fosse rápida".
Foram utilizadas, pelos Bombeiros Voluntários de Ovar, cinco viaturas e uma ambulância, que levou duas das seis pessoas para o hospital, uma por inalação de fumos e outra por crise de ansiedade, "normal nestas situações", afirmou o comandante Borges, acrescentando que "houve a preocupação em realojar as vítimas em casa de familiares e houveram contactos com a Junta de Freguesia de São João para resolverem o problema. A PSP também esteve no local".
Segundo António Borges, o incêndio foi extinto em vinte minutos mas o rescaldo terminou perto das 6h00 da manhã. "Em princípio a causa do incêndio foi devido às instalações eléctricas, ou seja, um curto circuito", concluiu o comandante dos BVO.
Contactámos a Câmara Municipal de Ovar a fim de saber o ponto de situação relativamente ao alojamento desta família, e Teresa Faria Pires, chefe da Divisão de Desenvolvimento Social, afirmou-nos que "neste momento, temos duas soluções relativamente à habitação, que estão a ser ponderadas e analisadas. De qualquer forma a família está alojada em casa de um familiar, e neste tempo em que estão lá, nós vamos tratar de tudo. Ajudaremos ou com o apoio ao arrendamento ou alugar a casa, temos de analisar". Teresa Pires admitiu ainda que as instituições envolvidas para solucionarem este caso são, para já, o Centro Social de São João, o projecto "Ren(Ovar)", a Junta de Freguesia de São João, a Câmara Municipal de Ovar e a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.
Contactámos também a Junta de Freguesia de São João de Ovar, da qual não obtivemos resposta.

 
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