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João Tordo voltou ao Museu de Ovar, agora para “Conversas Úteis”

José Lopes

João Tordo voltou ao Museu de Ovar, agora para “Conversas Úteis”

O Museu de Ovar recebeu mais um evento literário, agora designado, “Conversas Úteis”, que contou com a participação do escritor João Tordo, que há cerca de três anos tinha participado num “À Palavra”, também realizado na mesma instituição. Nessa altura, revelou Carlos Granja, o escritor “ficou tão amigo do Museu de Ovar, que logo deixou apalavrado voltar”.
João Tordo agarrou, literalmente, na palavra que lhe foi sendo despertada por Carlos Granja, partilhando a sua experiência como escritor, falou da relação dos escritores com os leitores, porque, “nunca sabemos como vai ser a reação ao seu livro”, e da resistência, “que nem toda a gente tem”, reconheceu, “para chegar a um certo tempo a escrever e publicar”.
Para este escritor, que nasceu em Lisboa, os livros que escreve, “são todos uma espécie de aventura”. São temas que vêm de trás e andam a fermentar na cabeça do autor e em “notas” que vai acumulando em word, até à altura em que vão dando corpo ao romance. E sobre se chega a desistir de alguma história, João Tordo, responde que, “normalmente, não sou eu que desisto, são os romances que desistem. Deixam de ter caminho”, porque, para si, “os livros são um momento”, admitindo que hoje não voltaria a escrever as mesmas histórias.
Nesta conversa útil, em que João Tordo se mostrou bastante crítico das redes sociais, considerando a sua dependência uma preocupante, “inatividade mental”, falou ainda da sua forma de escrita e dos personagens que cria, bem como as dificuldades num personagem para contar do ponto de vista feminino, tendo necessidade de regressar à infância. Surpreendeu, também, os presentes com a disciplina que dedica à escrita, reservada apenas aos meses do ano entre junho e setembro, justificando que os restantes meses do ano, são indispensáveis às muitas viagens pelo país, nas sessões em bibliotecas e escolas, e igualmente pelo mundo.
Já no final da sessão, numa noite em que as palavras fluíram sem se dar pelas horas passarem, o Prémio José Saramago, que João Tordo venceu em 2009, com o livro “As Três Vidas”, foi por si considerado “um choque”, porque, como admitiu, “o Prémio Saramago, muda carreira e faz vender livros”, e como acrescentou, “exige maturidade”. Desafio a que teve de corresponder logo no início da sua carreira como escritor.

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