Jornal Praça Pública

Miriam Tavares revalida o título de campeã nacional de salto em altura

Colégio Novo da Maia

Miriam Tavares revalida o título de campeã nacional de salto em altura

Miriam Tavares, aluna do 11ºC da Escola Secundária José Macedo Fragateiro, revalidou o título de campeã nacional de salto em altura, nos Campeonatos Nacionais Escolares, que se realizaram entre os dias 19 e 21 de maio, na cidade da Maia.
Em conversa com o jornal Praça Pública, Miriam Tavares lembrou todas as contrariedades que esteve sujeita durante a prova e garantiu que “vale sempre a pena lutar com perseverança e determinação pelas nossas conquistas”.

Há quantos anos praticas atletismo?
Há dois anos. No princípio senti-me um pouco perdida, porque não sabia muito bem o que me podia esperar. Mas tenho vindo a melhorar e estou cada vez mais apaixonada pelo atletismo. Por isso é que eu treino muito, para obter os melhores resultados.
Quando digo que pratico atletismo, perguntam-me o que corro, porque pensam logo nas provas de velocidade.

Sentes que é difícil conciliar os estudos com os exigentes desafios desportivos?
Sinto que estou numa fase muito complicada do ano, para gerir as minhas responsabilidades. Sempre fui uma aluna com capacidades para reter bem os conteúdos das aulas e alcançar boas notas. Até ao 9º ano, não tive grandes dificuldades, mas a partir do 10º ano, tudo se tornou mais angustiante… E o problema é que eu não tenho só provas do Desporto Escolar, mas praticamente todos os fins de semana.

Esses sacrifícios trazem-te compensações…
Em termos desportivos, sim, porque tenho muitas possibilidades de aprender sempre mais. Já tive convites de vários clubes de âmbito nacional, mas também pagavam pouquinho e até deixaram de me contactar. Mas do que eu mais gosto no atletismo é desse espírito de troca de ideias entre muitas pessoas envolvidas, apesar de nem sempre sermos reconhecidos por todos os esforços que fazemos. O Desporto Escolar ainda passa despercebido no panorama nacional, mas é muitas vezes aí que se descobrem os melhores atletas que temos.

Como foi desportivamente este fim de semana?
Foram as finais nacionais. Passei à final dos 100m barreiras e no salto em altura. Nas semi-finais de barreiras, consegui a segunda posição, tendo baixado o meu recorde pessoal. Fiquei entre as oito melhores de ambas as séries e fui à final,onde fiquei em sexto lugar.
Entre as barreiristas, eu era a mais alta, mas no salto em altura, não. Era ela por ela. Ao ver que muitas até eram de maior estatura, relativamente a mim, isso não me inferioriza, apesar do primeiro impacto ser pouco animador. Mas aí é que vemos quem são os verdadeiros atletas, porque temos de saber separar as nossas qualidades das que os outros aparentam ter. É que se estivermos preocupados com os outros, enquanto estamos a competir, não damos o melhor de nós mesmos, no desporto como noutras atividades.
Na prova do salto em altura, as coisas foram melhores. Saltei 1,58m (contra 1,55m no ano passado) por causa dos meses em que não pude treinar bem e competir regularmente. A segunda classificada também atingiu essa marca, mas como eu passei a fasquia à primeira tentativa, fui a vencedora. Aliás, passei sempre à primeira tentativa, o que valoriza ainda mais este título.
Estes resultados apuram-nos para as finais europeias do Desporto Escolar e representar Portugal é extremamente importante para o meu currículo desportivo e pessoal. Mas há um problema: ainda não se sabe se há financiamento para todas as modalidades estarem presentes…

O que representa, para ti, este título de campeã nacional?
Muito sinceramente, depois do resultado obtido no ano passado, pensei que neste ano pudesse ter as mesmas hipóteses. Mas como me lesionei, no início desta época, fiquei muito tempo parada (cerca de quatro meses) e não me senti tão preparada como antes. Confesso até que este resultado não era esperado, de tal maneira que me senti nas nuvens! Ainda para mais, os meus pais assistiram à prova, o que fez daquele dia um momento muito marcante.

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