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Museu de Ovar expõe esculturas do seu acervo

José Lopes

Museu de Ovar expõe esculturas do seu acervo

A inauguração da exposição de esculturas do acervo do Museu de Ovar, foi mais um extraordinário momento vivido nesta casa da cultura, que surpreendeu a generalidade dos presentes e das entidades convidadas com um autêntico “tesouro”, que esteve guardado durante mais de meio século, nas precárias e acanhadas instalações desta instituição.
Entre os autores das peças que ocupam três salas do Museu de Ovar, até ao dia 7 de abril, destacam-se nomes de artistas escultores, como: Alberto Carneiro, Leopoldo de Almeida, Teixeira Lopes, José Rodrigues, Raúl Xavier, Carlos Amado, António Duarte, Henrique Moreira, Lagoa Henriques, ou o escultor ovarense, natural de Arada, Luís de Matos, que “teve papel decisivo na preparação da exposição”, como realçou Manuel Cleto. O diretor do Museu de Ovar referiu-se ao contributo deste escultor, como artista, na identificação de algumas obras do acervo, e no “restauro” das que já mostravam sinais do tempo, para serem expostas com a desejada dignidade deste património escultórico.
A partilha de tão surpreendente acervo com os presentes, na cerimónia de inauguração, acabou marcada por apelos emotivos aos autarcas para que olhem com mais atenção para o Museu de Ovar e todo o seu vasto património artístico e cultural. Porque, como referiu Manuel Cleto, “quando há dinheiro para Serralves, e o Museu de Ovar vive a precisar de receitas para evitar riscos que possam por em causa todo o seu acervo… é criminoso”.
Já Luís de Matos, afirmou mesmo, que, desde o 25 de Abril “nunca houve administração local que desse atenção a isto, que já existia no Museu de Ovar há mais de 50 anos”, referindo-se ao vasto lote de peças de escultura expostas. Ainda na opinião deste escultor ovarense, ali existem peças “dos melhores autores do século passado”, algumas das quais mereciam ganhar forma em bronze e ocuparem espaços públicos em vez dos “calhaus”, que disse ser “nossa vocação”, e que nada acrescentam à “memória”.
Por fim, deixou como desafio a necessidade de se “preservar esta memória que está na exposição”, destacando que “há necessidade de arranjar espaço para expor”.
“Estou no meio de emoções”, referiu José Fragateiro, presidente da Assembleia de Freguesia da União das Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente Pereira, a propósito das intervenções que o antecederam sobre os “poucos apoios”, mas deixou “esperança” de tais desabafos serem escutados e da causa do Museu de Ovar ser fator de unidades dos vários órgãos autárquicos.
Quem alinhou pelo mesmo diapasão foi Sara Ferreira, que, em nome do executivo da União de Freguesias apelou à Câmara Municipal de Ovar, ali representada por Alice França, para “olhar para o Museu de Ovar” como uma “casa da cultura, por excelência”.

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