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Museu de Ovar: Entre poesia e debates sobre “A questão do género na literatura”

José Lopes

Museu de Ovar: Entre poesia e debates sobre “A questão do género na literatura”

Num fim de semana com uma autêntica maratona de eventos na programação cultural do Museu de Ovar, a pintura de Celeste Ferreira, com traços de corpos femininos, acabada de ser aberta ao público, destacava-se nas paredes da sala, que acolheu ainda dois eventos literários, ambos com moderação de Carlos Nuno Granja, que fez questão de lembrar o 25 de novembro, como o Dia Internacional para Eliminação da Violência Contra a Mulher. Uma temática “no feminino, que marca as atividades do Museu este fim de semana” disse o escritor ovarense, alargando assim tal espírito ao conjunto das iniciativas, como os debates sobre o tema, “A questão de género na literatura”, que se seguiriam à apresentação do livro “Plenitude” de Maria Amélia Tavares.
Com uma sala que foi demasiado pequena para receber amigos, familiares e antigos alunos, a sessão de lançamento do livro “Plenitude” de Maria Amélia Tavares, teve como convidados a falarem sobre a autora, o padre Manuel Pires Bastos, que destacou as suas “qualidades literárias”, centrando ainda as suas notas, nos contributos dados pela autora do livro de poesia à colaboração na Revista Reis, lembrando alguns dos seus trabalhos em que sobressaem a sua proximidade às pessoas simples e particularmente da praia do Furadouro.
Outra convidada a falar sobre Maria Amélia Tavares foi a sua colega de profissão e causas sociais, Maria Luísa Resende, que acabaria por insistir na experiência de ambas na Revista Reis. Como reconheceu, mais do que abordar a bibliografia da autora, preferiu falar do “empenhamento na vida” da colega a quem manifestou ter “grande apreço”. “O livro assume vivência e aprendizagens” e assume, igualmente, “as consequências das suas opções sobre as contradições da sociedade em que se empenha” diria ainda Maria Luísa Resende para quem, “é um enriquecimento para quem trabalha com ela”.
Já à neta da autora de “Plenitude”, Eva Aguiar, que concluiu o curso de Piloto Aviador, coube fazer uma apresentação da composição do livro com 33 poemas divididos, “embora muito interligados”, por temáticas como, relação familiar, introspeção e problemática do mundo, de que se destacou a leitura do poema “Meu menino sírio”.
Nesta sessão em que se “revisitou memórias”, como sublinhou o moderador, a animação musical contou com a atuação do Manuel Ferreira e Sara Ferreira, a quem Maria Amélia Tavares deixou palavras de reconhecimento, bem como às dinâmicas do Museu de Ovar “na vida cultural vareira”. Realçou, também, os afetos que a prendem à Revista Reis em que sempre colaborou. Perante alguns dos seus antigos alunos do primeiro ciclo, a professora com visível alegria, reavivou os valores que sempre lhes transmitiu, “para a dignidade humana e a solidariedade” no empenho para “ajudarmos a construir mais e melhor o país e o mundo”. Caminhada em que se continua a envolver, procurando sempre “aprender com os outros”, a exemplo do seu atual projeto de trabalhar teatro com séniores.
Perante exemplares testemunhos de “missão” de duas colegas de profissão, Carlos Nuno Granja chamou atenção, para a forma “revoltante como a sociedade está a ver a luta dos professores”, que, e afirmou, “é pela sua dignidade”, mais do que por questões económicas. “A sociedade tem de valorizar os professores”, em que se destacam, “neste espírito de missão aqui falado e presente”, destacando o papel de relevo que continua a ser desenvolvido pelas suas colegas de mesa nesta apresentação do livro “Plenitude”, que terminou com uma sessão de autógrafos.

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