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Palestra sobre Cancro: A doença vista de uma forma positiva

FERNANDO SOUTEIRO E PAULO SANTOS

Na sequência do projeto,“Um Dia Pela Vida”, da Liga Portuguesa Contra o Cancro,são inúmeras as iniciativas que proliferam de norte a sul do município ovarense. O grupo ASAS – Anjos Solidá-rios levou a efeito, na Fundação Padre Manuel Pereira Pinho e Irmã, na vila de Válega, uma palestra intitulada“Celebrar, Recordar, Lutar”,que teve como principal oradora, Fátima Veiga, médica na Unidade de Saúde Familiar (USF) Alpha, situada naquela vila. Outro dos momentos marcantes desta iniciativa inserida no projeto “Um Dia Pela Vida”, da Liga Portuguesa Contra o Cancro foi o testemunho do jovem vencedor, Gabriel Marques, que aos 13 anos de idade viu a sua vida mudar radicalmente de rumo para um adolescente da sua idade, ao ser lhe diagnosticado um cancro.

Fátima Veiga deu a conhecer a uma plateia heterogénea e interessada, o que é o cancro, bem como formas de reduzir as probabilidades de contrair a doença,como, o não fumar, o controle do seu peso, através de uma alimentação saudável, uma vez que 30% dos cancros estão relacionados com a nutrição, a prática de atividade física regular e evitar a exposição excessiva ao sol.

A médica, natural do concelho de Águeda, mas que reside há vários anos na vila de Válega, referiu ainda que se deve evitar estar exposto a radiação derivada de altos níveis de radiação.

Convém sublinhar que os rastreios “são avaliações à procura de pessoas saudáveis e não doentes”. Por outro lado, a plateia ficou a conhecer melhor os vários tipos de cancros e que o rastreio do cancro retal deve ser feito por pessoas entre os 50 e os 74 anos, enquanto que os rastreios do cancro devem ser feitos, entre os 45 e os 65 anos, bem como os do cólo do útero, devem ser feitos por pessoas a partir dos 25 anos.

Uma das ‘dicas’ e conselhos que Fátima Veiga,deixou e recomendou como fundamentais, é que as pessoas não devem faltar às consultas de planeamento. Fátima Veiga defende ainda que deve-se comer com regularidade cinco ou mais porções de vegetais, assim como a população mais velha, deve realizar uma caminhada de 15 minutos, cinco dias por semana.

Nestes casos da doença,num universo de uma centena, 33 poderão morrer por falta de dieta e por inatividade física.

Por sua vez, o testemunho de Gabriel Marques sensibilizou toda a plateia, tendo começado por agradecer à sua mãe, tios e demais familiares por parte da mãe. “O apoio externo é fundamental”, afirmou, Gabriel Marques.

De realçar que aos treze anos, Gabriel Marques recorreu aos serviços do Hospital de São Sebastião, em Santa Maria Feira, devido a umas dores que sentia. Nessa altura foi-lhe diagnosticado tudo menos aquilo que efetivamente padecia. Daí que não guarde boas memórias deste espaço hospitalar.

Pouco depois foi-lhe detetado um cancro no sistema linfático, após uma operação a que teve de ser sujeito, no Hospital de São João.Por este motivo, Gabriel Marques foi transferido para o IPO e aí permaneceu durante cerca de quatro meses.Como referiu, Gabriel Marques viu coisas terríveis,mas teve uma força emocional extraordinária, afirmando que “há sempre uma força superior a nós, que está connosco”, durante este trajeto.

Gabriel Marques foi sujeito ao tratamento de quimioterapia e considera que a alimentação é um fator determinante para ultrapassar o problema do cancro.

De realçar que Gabriel Marques recordou o facto deter sido visitado por dois futebolistas do FC Porto e pelo hoquista daquele clube, Reinaldo Ventura, bem como de diversos basquetebolistas da Ovarense e de outros desportistas do concelho, durante os quatro meses de internamento, no hospital São João e no Instituto Português de Oncologia (IPO), no Porto.

Hoje, este jovem vencedor tem 16 anos, é estudante na Escola Secundária Júlio Dinis e um exemplo para muitas pessoas que se debatem com este problema. É um vencedor nato.

De referir que estiveram presentes nesta palestra“Celebrar, Recordar, Lutar”, Jaime Duarte Almeida e Augusto, presidente e secretário da Junta de Freguesia de Válega, respetivamente, e Ana Cunha e Florbela Oliveira,em representação da Comissão Local da Liga Portuguesa Contra o Cancro, entre outras individualidades.Por outro lado, esta iniciativa contou com a participação dos jovens cantores Maria, Xavier e Fábio Barge, assim com também teve uma atuação de um grupo de dança, composto por um grupo de jovens pertencente ao ASAS – Anjos Solidários, que contribuíram para abrilhantar o evento e a minimizar o carácter sério e rígido da temática do cancro que,só por si, pode ser algo assustador.

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