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Quando voltar a Portugal, depois de uma missão em Angola, é a coisa mais difícil da vida

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Quando voltar a Portugal, depois de uma missão em Angola, é a coisa mais difícil da vida

Com apenas 21 anos, e a estudar medicina, Inês Poças Ferreira aproveitou as férias deste ano para se lançar a uma experiência que diz ter sido “única”. De tal forma marcante, que levou a jovem vareira a confessar que o seu “regresso a Portugal foi uma das coisas mais difíceis” que assegura ter feito “na vida”.
Num testemunho onde se destacam o dever de missão e a Fé, Inês Poças Ferreira, que prestou voluntariado para a Comunidade Passionista de Calumbo, em Angola, afirma que, tudo o que sentiu e viveu em missão é “absolutamente inexplicável e indescritível, pelo que as palavras nunca chegarão” para descrever a experiência.
De forma sucinta, “o propósito da missão passou por organizar a biblioteca de Calumbo e abri-la ao público”, diz a voluntária, com o objetivo de, “a pouco a pouco, incentivar, na comunidade de Calumbo, o gosto pela leitura, o conhecimento do mundo que nos rodeia e criar ou reforçar hábitos de pesquisa e trabalho”.
Ao “entusiasmo” inicial, refere a futura médica, seguiram-se “duas semanas nada fáceis em termos de adaptação”. Contudo, revela Inês Poças Ferreira, “encarar e lidar com uma realidade tão diferente da minha e tão distante das minhas expetativas, foi desafiante”.
Depois veio a integração plena na comunidade passionista e tudo correu sobre rodas.
Durante a missão, diz a vareira, “procurámos promover a capacitação de voluntários locais, que demonstraram ter ótimas competências, e que foram fundamentais pois, sem eles e sem a sua ajuda, não teríamos conseguido fazer nada”. As principais tarefas passaram pelo acompanhamento “na organização e no carimbar dos livros, a fazer a divulgação pelas escolas”, entre outros. Mesmo quando a biblioteca “Imbondeiro do Saber” abriu, destaca Inês Poças Ferreira, “eram esses voluntários quem faziam o trabalho mais importante, para que, quando viéssemos embora, tudo pudesse funcionar bem”. No fundo, “e honestamente, eles tinham mais competências do que nós para lidar e trabalhar com as pessoas”, confessa.
Na hora de fazer um balanço desta aventura, Inês Poças Ferreira assegura nunca se ter sentido “tão motivada e em paz” como esteve durante a missão em Calumbo. A razão é simples. “Lá, ao viver em comunidade, o foco não é individual, trabalhamos todos, embora de diferentes formas e em coisas distintas, mas para o mesmo objetivo”. No fundo, “isto dá-nos uma força incalculável, procuramos sempre ir mais longe, pois a missão é maior que nós e não podemos, nem queremos desistir”, diz.
Apesar de contar com o apoio incondicional da Rita, sua ‘companheira nesta aventura’ existiram outros segredos que conduziram ao sucesso. “A oração”, defende Inês Poças Ferreira, “foi absolutamente fundamental para fomentar a paz e o amor que senti em missão. Sentia-me sempre em Deus, amparada e com força para trabalhar e lutar por mais”, revela.
O incentivo por parte da comunidade passionista, “que foi muito cuidadosa e procurou, sempre, incentivar-nos a manter o equilíbrio entre trabalho, lazer e oração” não faltou, e ainda houve tempo para “contemplar o rio, tocar guitarra, fazer sobremesas, visitar Luanda, passear pela comunidade, conversar e relaxar com os voluntários, com a comunidade passionista e com as pessoas de Calumbo”, lembra Inês Poças Ferreira.
Em Calumbo, diz a jovem vareira, o centro da vida são as pessoas, o amor é cultural, não interessa o tempo que perdemos com os outros”. Por isso, no momento de pisar, de novo, Portugal, Inês Poças Ferreira assegura ter-se sentido “logo sufocada com as preocupações com o dinheiro, com o trabalho, com a aparência e a pressa”.

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