“Sobre zebras, úlceras e stress – um paradigma da saúde mental”

“Sobre zebras, úlceras e stress – um paradigma da saúde mental”

por, Pedro Tiago Pinto*

Há mais de duas décadas, em 1994, Robert Sapolsky, professor da Universidade de Stanford, dava a conhecer a sua obra literária sobre o porquê de as zebras não terem úlceras. Sabe-se que uma zebra, ao ser perseguida por um predador, ativa os mecanismos fisiológicos para a luta ou a fuga, num despertar instantâneo do instinto de sobrevivência.
Contudo, mais do que uma boa sessão de BBC Vida Selvagem, esta obra ilustra a catarse de um dos problemas mais atuais da sociedade ocidentalizada, o stress crónico.
Ao longo do tempo, nos países do Ocidente, passou-se a morrer menos de doenças infeciosas e mais de doenças crónicas, algumas das quais relacionadas com o stress. A questão é que o dia-a-dia do ser humano comum tornou-se preenchido de questões e situações – os stressores – que o fazem sentir em constante sensação de
“ataque por um predador”.
Se na vida selvagem, como já referido, o stress pode ser benéfico por ser curto e permitir a sobrevivência, no ser humano a questão é mais complexa e os stressores crónicos podem acabar por contribuir para algumas doenças, físicas e mentais.

*Médico de medicina geral e familiar, USF São João do Porto

Artigo de opinião completo na edição impressa

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